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Futebol, outros esportes e marketing digital por Gustavo Andrade

NCAA, Adidas e FBI: a corrupção no basquete universitário dos EUA

NCAA tem caso de corrupção no basquete universitário envolvendo a AdidasA troca envolvendo New York Knicks e OKC, enviando Carmelo Anthony para o Thunder, e a saída de Dwyane Wade do Chicago Bulls para jogar ao lado de LeBron James no Cleveland Cavaliers tomaram conta do noticiário sobre basquete e ampliaram a expectativa pelo começo da temporada 2017/2018 da NBA. Porém, outra notícia abalou o mundo da bola laranja.

Nesta terça-feira, dia 26 de setembro, o FBI anunciou a prisão de quatro treinadores da NCAA. Além dos comandantes de equipes universitárias, um executivo da Adidas foi acusado de envolvimento num caso de corrupção. Mas, o que afinal a gigante dos esportes e esses técnicos fizeram para serem alvos da Justiça federal norte-americana?

O escândalo no basquete universitário americano

O que foi anunciado nesta terça-feira por promotores federais dos Estados Unidos foi o resultado de uma investigação iniciada em 2015, que ainda está em andamento. O caso envolve suborno, conspiração e fraude.

Três denúncias criminais apresentadas em Manhattan detalham uma rede de corrupção em que o dinheiro supostamente fluiu entre famílias de atletas, treinadores e outros interessados financeiramente no basquete universitário. O objetivo dessa rede era determinar onde os jovens atletas jogariam, quem os representariam e até quais roupas vestiriam.

Quatro assistentes técnicos de universidades americanas foram presos: Lamont Evans (Oklahoma State), Emanuel Richardson (Arizona), Tony Bland (USC) e Chuck Person (Auburn), que foi escolhido o novato do ano da NBA em 1987, quando defendia o Indiana Pacers.

Os quatro treinadores, além de outras seis pessoas, cujos nomes não foram divulgados, foram acusados de corrupção com base em centenas de escutas telefônicas, vídeos e depoimentos de testemunhas. O material coletado pelo FBI indica que os subornos envolviam até US$ 100 mil.

Segundo os investigadores federais, agentes esportivos pagavam aos treinadores para pressionarem os jogadores e suas famílias a assinarem contratos com esses agentes quando se tornassem profissionais.

De acordo com o departamento de Justiça dos EUA, cada um dos treinadores pode enfrentar uma pena de até 80 anos de prisão.

“Mês após mês, os réus exploraram os sonhos dos estudantes-atletas em todo o país, tratando-os como pouco mais do que oportunidades para enriquecerem-se através de esquemas de suborno e fraude”, destacou Joon H. Kim, investigador responsável por fazer o anúncio das prisões à imprensa.

Em um dos depoimentos aos investigadores federais, o ex-agente da NBA Christian Dawkins, que também foi preso, dá a dimensão do que envolve o futuro dos jovens atletas: “Você pode fazer milhões com um garoto”.

A relação da Adidas com o caso de corrupção na NCAA

O FBI prendeu também James Gatto, diretor de marketing esportivo global da Adidas, além de Merl Code, outro funcionário da gigante de materiais esportivos.

A investigação indicou que funcionários de alto escalão da Adidas trabalharam para pagar a atletas e suas famílias para garantir que esses jovens atletas assinassem com as escolas patrocinadas pela Adidas. Mais tarde, quando se tornassem profissionais, eles também assinariam contratos com a empresa de material esportivo.

A acusação do FBI contra Gatto inclui ainda uma referência a uma “universidade pública de pesquisa localizada no Kentucky”, identificada como “Universidade-6”. O presidente interino da Universidade de Louisville, Gregory Postel, confirmou em um comunicado que é a escola mencionada. Há também uma referência a uma escola privada de pesquisa na Flórida, que, segundo a ESPN, é a Universidade de Miami.

O FBI alegou que James Gatto e Merl Code tentaram negociar um acordo para enviar outro jogador do ensino médio para Miami, que é patrocinada pela Adidas, por US$ 150 mil.

As alegações contra a Universidade de Louisville incluem pagamentos de US$ 100 mil da Adidas para a família de um atleta identificado como “jogador-10”, para garantir que ele assinasse com a escola.

Ainda de acordo com a ESPN, o “jogador-10″seria Brian Bowen, ala-armador que assinou com Louisville no dia 5 de junho.

Em um comunicado, a Adidas afirmou não saber que seu diretor de marketing esportivo pagava aos jogadores do ensino médio, o que é proibido pela legislação norte-americana e é contrário às normas da NCAA.

“Tomamos consciência que investigadores federais detiveram um funcionário da Adidas. Estamos nos informando mais sobre a situação. Não somos conscientes de qualquer má conduta e cooperaremos plenamente com as autoridades”, afirmou a empresa.

Basquete universitário: um negócio de bilhões de dólares

Os atletas universitários têm projeção nos Estados Unidos maior do que em qualquer outro lugar do planeta. Nem todo estado norte-americano tem time da NBA, mas todos têm ao menos uma universidade inscrita na NCAA (National Collegiate Athletic Association, espécie de federação universitária de esportes).

Os torneios de basquete da NCAA têm duração de três semanas e são tão populares nos Estados Unidos que o período é conhecido como “March Madness” (“A Loucura de Março”). Ao todo, participam 64 equipes, que se eliminam até o famoso Final Four. O campeão é recebido pelo presidente na Casa Branca.

Durante o período em que esteve na presidência dos Estados Unidos, Barack Obama divulgava seus palpites para o chaveamento dos confrontos da NCAA ano a ano. Porém, ele previu o campeão do torneio somente uma vez..

As apostas nos duelos do March Madness são tão populares no Estados Unidos que estima-se que 40 milhões de pessoas preenchem mais de 90 milhões de apostas todo ano. O montante desses palpites? Aproximadamente US$ 9 bilhões (R$ 27 bilhões).

Em Las Vegas, as apostas envolvem diferentes cenários de uma partida, como a diferença de pontos, placar do primeiro quarto, cestinha, reboteiro ou maior assistente.

Não é à toa que casos de corrupção, como o divulgado pelo FBI, causem grande impacto nos fãs de basquete universitário. Todavia, como já vimos em diferentes esportes e em diversos locais do mundo, o esporte não está imune a esses escândalos.

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