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Futebol, outros esportes e marketing digital por Gustavo Andrade

Futparódias: futebol, música e humor em mais de 275 milhões de visualizações em 9 meses

FutParódias
Junte futebol, música e humor, alie experiências anteriores com audiovisual e, assim, crie um fenômeno do Youtube. É mais ou menos assim que funciona o Futparódias, uma vasta coletânea de músicas que estão bombando, transformadas em paródias com letras que exploram o que há de mais quente no futebol mundial.  

Neste post, recheado de vídeos, você saberá como um engenheiro deixou de lado o diploma para ganhar a vida com um canal que acumula mais de 275 milhões de visualizações em 9 meses de história. Continue a leitura e entenda que tamanho sucesso não vem por acaso. Mas, pra começar, já fique com essa paródia que une “Você partiu meu coração” com a capacidade do futebol chinês de atrair grandes jogadores.

Futebol o Grande: o que veio antes do Futparódias

Como já disse, o sucesso do Futparódias não é um caso de sorte. Criador do canal em parceria com Leon Whosoever, André Drumond Já havia iniciado sua trajetória como youtuber em outra empreitada. O engenheiro mineiro deu largada no mundo dos vídeos com o canal Futebol o Grande.

Na realidade, os vídeos eram apenas uma parte do Futebol o Grande. “Eu comecei a mexer com vídeo como hobby desde criança, usava Windows Moviemaker e fazia vídeos simples. Mais sério foi quando criei o Futebol o Grande. Começou como uma página no Facebook, e o canal do Youtube foi só um repositório dos vídeos feitos para o Facebook. O vídeo era uma das coisas da página, que tinha outros conteúdos de futebol. O início do Futebol o Grande era para falar mais de história de futebol”, explica André.

Um dos pontos fortes do canal era a série “Marca registrada”, que mostrava como alguns jogadores de futebol têm jogadas características, como os gols caindo de Lucas Pratto, as entradas violentas de Fábio Costa, os corta-luzes de Modric, as canetas de Renato Augusto, o passe sem olhar ou o elástico de Ronaldinho.

O canal ainda explorava o humor, como os Power Rangers do Brasil, e enaltecia os “grandes”, como o Futebol Total de Rinus Michels com a Holanda de 1974, a famosa Laranja Mecânica.

O momento de maior repercussão do Futebol o Grande foi com um vídeo que relacionava o renascimento da Seleção Brasileira com Star Wars. “Foi a primeira vez que um vídeo meu teve número bom de visualizações, foi o vídeo que me projetou um pouco. Ele foi bem compartilhado e também passou no Redação SporTV. Até hoje, foi a vez que um canal de TV deu mais atenção”, relembra André Drumond.

Porém, o “mix de produtos” do Futebol o Grande fez o canal não seguir uma linha editorial mais concreta, o que André alcançou no Futparódias. “Vi que era um modelo que não daria mais certo, o próprio nome eu já não gostava, não era tão bom para internet. O Futebol o Grande é como um laboratório, para ver o que pode dar certo. Quando lancei o Futparódias, a ideia era conciliar os dois, mas o Futparódias explodiu muito rápido”, destaca.

Futparódias: o surgimento de um fenômeno do Youtube

Antes de contarmos como surgiu o Futparódias, é importante conhecer um pouco mais da história do criador André Drumond. “Formei em engenharia de produção na UFMG em 2015. Quando formamos em engenharia, temos uma certa pressão de tentar processos trainees, que são a melhor oportunidade para entrar numa empresa”, observa.

“Quando formei em 2015, decidi que 2016 seria focado no Youtube. Se não desse certo, eu ainda teria 2017 inteiro para tentar os trainees. 2016, eu gastei inteiro com o Futebol o Grande. E tinha a meta de que só seria minimamente bem sucedido se chegasse a 100 mil inscritos. Chegou o fim de 2016 e estava longe dessa meta. Em dezembro, comecei a planejar 2017. Mas, no  momento de desapego do Futebol o Grande, abri minha cabeça e veio a ideia do Futparódias. Decidi tentar um pouco mais ainda, já que os processos trainees começavam em março”, acrescenta.

A inspiração para o Futparódias veio de um vídeo do canal The Exploding Heads. “A ideia veio quando vi um canal gringo fazer uma versão de Bohemian Rhapsody, do Queen, só com nomes de jogadores. Foi bem compartilhado e pensei ‘isso dá para fazer’. Eu já tinha trabalhado com Leon, que mora no Rio de Janeiro, e ele topou tentar. Foi minha última chance de dar certo no Youtube. Só que o negócio foi muito rápido, e as coisas deram muito certo”.

As letras e as músicas: como são criadas as paródias

Os vídeos do Futparódias têm um processo de criação que envolve um dia e meio de trabalho. E podem ser motivados por duas razões. “A gente tem dois tipos de paródias. Uma que é baseada em um tema que está em evidência, como uma final de campeonato ou uma grande atuação do Neymar, por exemplo. Pegamos esse momento e procuramos uma música. A gente prefere músicas que estão em alta, fazendo mais sucesso”, explica André.

Depois de definidos o tema e a música, é iniciado o processo de composição da letra. “Fazemos o Leon e eu, nós dois juntos. A gente costuma vasculhar informações na internet, piadas que podemos fazer. Depois, começamos a escrever. Como ele mora no Rio e eu em BH, abrimos Google Docs e vamos escrevendo. Após a finalização da letra, o Leon faz a gravação do áudio — ele que canta todas as músicas. E eu faço a edição do vídeo”.

A outra motivação para as paródias é o sucesso de uma música do momento. “Às vezes, há uma música tão estourada, que, mesmo se não vier um tema para encaixar, a gente cria esse tema. Às vezes, parte da música e fazemos uma paródia. O “Bate de Trivela” se encaixou no “Baile de Favela””, exemplifica.

Neymito, a versão de Despacito: mais de 15 milhões de views

A “obra-prima”, ou o vídeo que mais gerou repercussão em toda a ainda curta história do Futparódias, foi a união entre o sucesso de Neymar nos gramados ao redor do mundo com o hit Despacito. “Juntamos a música do ano de 2017 e o Neymar, que sempre gera muitas visualizações. E fizemos uma letra muito completa, com quase toda a história do Neymar e algumas piadas”, destaca André Drumond.

Se ainda não viu, se junte às mais de 15 milhões de visualizações de “Neymito”. Mas se já viu, confira mais uma vez!

A repercussão do Futparódias: os pontos positivos e as chateações

O sucesso das paródias não fica apenas com os torcedores. Jogadores e ex-atletas, como Juninho Pernambucano, já compartilharam os vídeos do canal, assim como o cantor Nego do Borel já comentou uma versão de suas músicas. Numa dessas oportunidades, Kaká agradeceu por uma versão de “Sugar”, do Maroon 5.

O craque do Orlando City até mandou mensagem para André e Leon, destacando o tanto que seu filho Lucca curte o Futparódias.

Porém, há os momentos também de chateações com a grande repercussão do canal. Alguns torcedores ainda têm dificuldade para aceitar a zoação com a má fase de seus times. “Principalmente quando são músicas que zoam desclassificação ou má fase, sempre tem alguém que fica ofendido. Levamos como algo natural. São pessoas que não conseguem pegar a zoação. É quase uma regra para a gente: queremos fazer paródias com que as próprias pessoas zoadas possam se entreter. Tentamos não usar o lado da ofensa. Na maior parte das vezes, os comentários são tão positivos que a gente pode até relevar os negativos”, salienta.

Como se ganha dinheiro com vídeos: a monetização no Youtube

Ao alcançar sucesso com o Futparódias, André Drumond deixou o diploma de engenharia de produção na gaveta e se dedica exclusivamente ao canal, cuja renda ele diz estar “legal”. “Posso falar que estou ganhando bem”, afirma.

Mas, afinal, como um canal de sucesso consegue monetizar no Youtube? “São duas formas de monetização. A primeira é pelos anúncios próprios do Youtube, antes e durante os vídeos. Há vários tipos de anúncio que o Youtube disponibiliza dentro do seu canal. Essa é nossa fonte de receita mensal e garantida. Isso varia de acordo com número de views, mas é nossa receita”, explica.

“A outra forma de monetização é quando fechamos acordo por fora com alguma empresa. Fizemos um vídeo para o Rei da rodada, que é como o Cartola, mas mais voltado para apostas — você ganha dinheiro por rodada e não tem de ficar preso a escalar times todas as rodadas. E fizemos outro vídeo para o 365Scores, que é um aplicativo para acompanhar os resultados em tempo real”, complementa.

Impulsionamento do próprio Youtube

André e Leon não usam mídia paga para impulsionar os vídeos do Futparódias. E nem todos os inscritos no canal recebem notificações de novos vídeos. Para os criadores, uma clara impressão sobre o crescimento do canal envolve a promoção feita pelo próprio Youtube.

“Minha experiência me mostrou que quando o Youtube dá valor para seu vídeo e começa a recomendá-lo, isso é muito mais relevante que o vídeo passar na TV ou qualquer página compartilhar. Quando, de acordo com o algoritmo dele, o Youtube identifica seu vídeo como bom, e as pessoas passam mais tempo na plataforma, o Youtube promove o vídeo. Ele passa a aparecer na tela inicial de algumas pessoas ou ao lado, nos vídeos recomendados. Essa promoção gera um alcance absurdo”, ressalta André.

Atualmente, o Futparódias tem dois vídeos por uma semana, às terças e sexta-feiras, sempre às 11h. O público do canal é na grande maioria masculino, com crianças e adolescentes sendo os maiores responsáveis pelas interações.

Os próximos planos do Futparódias

Logo na primeira semana, o Futparódias atingiu 20 mil visualizações. Em 9 meses, o canal já alcançou 1,7 milhão de inscritos. Somadas todas as visualizações, são mais de 275 milhões de views.

Para seguir crescendo, André e Leon já estabeleceram os próximos passos. Em 2018, eles pretendem se mudar para São Paulo, para melhorar o processo de criação e aproveitarem mais oportunidades. “O cenário todo de Youtube gira em São Paulo. Por isso, precisamos ir para lá” destaca André.

Ainda em 2017, o Futparódias deve lançar uma loja virtual, com camisetas, moletons e bonés. Os criadores têm ainda planos de fazer eventos em que toquem as músicas do canal.

André Drumond tem também outro canal no Youtube, chamado Dezao Football, que foi feito em inglês para alcançar um público maior. O engenheiro destaca que o sucesso já atingido veio depois de a convivência com muitas dúvidas.

“O pessoal lembra muito da época que eu comentava que queria ser youtuber, e muita gente não acreditava que seria possível chegar até esse ponto. Eu estava abandonando a engenharia e ouvi muita coisa desmotivante. É difícil para a família você falar que quer mexer com Youtube com um diploma de engenharia na mão. E não é sorte trabalhar com Youtube. É claro que a viralização de um vídeo pode envolver um pouco de sorte, mas é preciso conhecer a plataforma, saber o que fazer em cada momento. Não é simplesmente sorte para dar certo”, afirma.

Se você chegou até aqui, imagino que já tenho curtido o Futparódias no Youtube e acionado as notificações. Quer conhecer outro fenômeno da internet? Saiba como surgiu o Cenas Lamentáveis e o famoso Decreto!

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