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Futebol, outros esportes e marketing digital por Gustavo Andrade

Argentina e Messi fora da Copa: qual seria o tamanho do prejuízo?

Argentina fora da Copa

Nesta terça-feira, às 20h30, a Argentina enfrentará a altitude de 2.850 metros de Quito não apenas para vencer o Equador, mas para evitar um vexame histórico. Qualquer resultado que não seja um triunfo deixará o time de Lionel Messi fora da Copa Mundo de 2018, na Rússia — derrota e empate ainda mantêm chances remotas de dar uma vaga no Mundial.

A Argentina esteve em 16 das 20 Copas do Mundo já disputadas e não fica fora de um Mundial desde 1970, no México. Se derrotar o Equador, a seleção bicampeã mundial garante ao menos uma vaga na repescagem, para enfrentar a Nova Zelândia.

Diante de um cenário de grande turbulência política no futebol argentino nos últimos anos, que levou à instalação de uma Comissão Normalizadora na Associação de Futebol Argentino (AFA) pela Fifa, qual seria o tamanho do prejuízo para a Argentina em estar fora da Copa do Mundo? Para dar essa resposta, contaremos com a ajuda de um levantamento feito pelos argentinos do  Marketing Registrado.

Os patrocinadores do futebol argentino

Justamente pelo momento conturbado em sua estrutura, a AFA necessita do apoio de seus patrocinadores para manter sua recuperação. De que forma isso seria possível se a Seleção Argentina não for à Copa da Rússia?

Os patrocinadores da AFA são divididos em dois grupos: os patrocinadores oficiais e os fornecedores oficiais. Adidas, Coca-Cola, Quilmes, Claro, Tarjeta Naranja, Sancor Seguros e YPF pagam a Federação Argentina, anualmente, entre 1 e 2 milhões de dólares —  com a Adidas com contrato superior às demais marcas, enquanto Claro e Coca-Cola também desembolsam um pouco a mais para estamparem suas marcas nos uniformes de treino de Lionel Messi e companhia.

Já Aerolíneas Argentinas, Easy, Powerade, Noblex, Bon Aqua, Gillette e Prevención Salud, em um segundo grupo, investem 500 mil a 800 mil dólares cada uma na AFA, por ano.

Embora os contratos já assinados não sejam rompidos por uma ausência na Copa do Mundo, há cláusulas e prêmio extras por objetivo, os quais a AFA deixaria de receber. Isso sem considerar ainda a possibilidade de uma repercussão negativa no momento de uma negociação por renovação contratual de patrocínios.

Adidas e Coca-Cola têm contratos com a Seleção Argentina até 2030. Já os demais patrocinadores assinaram vínculos até 2019 e 2022.

A premiação por participação na Copa da Rússia

Vice-campeão mundial na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, derrotada na final pela Alemanha, a Argentina embolsou US$ 25 milhões em prêmios pagos pela Fifa.

Já para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, a entidade máxima do futebol decidiu aumentar as premiações em 22% e, assim, pagar US$ 50 milhões à seleção campeã. Quem ao menos conseguir confirmar a participação no Mundial já terá garantido US$ 12 milhões.

Como bem calculou o Marketing Registrado, ficar fora da Copa do Mundo de 2018 representaria uma perda para a AFA de aproximadamente US$ 20 milhões, entre prêmios pagos pela Fifa e extras com patrocinadores.

Confira os prêmios da Copa do Mundo de 2018:

  • US$ 2 milhões por participar
  • US$ 10 milhões por ser eliminado na fase de grupos
  • US$ 12 milhões por avançar às oitavas de final
  • US$ 18 milhões por avançar às quartas de final
  • US$ 25 milhões para o quarto colocado
  • US$ 30 milhões para o terceiro colocado
  • US$ 40 milhões para o vice-campeão
  • US$ 50 milhões para o campeão mundial

Os prejuízos para Messi por ficar fora da Copa

A Copa do Mundo de 2018 poderia ser a última da carreira de Lionel Messi, que terá 35 anos em 2022. O que representaria, portanto, para o craque argentino uma ausência no Mundial da Rússia?

Até aqui, Messi disputou três Copas do Mundo, tendo sido derrotado pela Seleção Alemã em todas elas. Em sua primeira participação, em 2006, no Mundial disputado na Alemanha, o craque viu seus compatriotas, sob o comando de Maradona, serem eliminados nos pênaltis pelos alemães nas quartas de final.

Quatro anos depois, na Copa da África do Sul, a Argentina voltou a ser eliminada pela Alemanha nas quartas de final. Já em 2014, Messi chegou até a final, mas um gol marcado por Mario Gotze na prorrogação deu o título mundial aos alemães na decisão disputada no Maracanã.

Conforme levantamento da Forbes, Lionel Messi foi o terceiro colocado na lista dos atletas mais bem pagos do mundo em 2017, atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Lebron James — Neymar é o único brasileiro dessa relação, na 18ª posição.

O camisa 10 do Barcelona embolsa ao todo US$ 80 milhões em 2017, sendo US$ 53 milhões em salários e US$ 27 milhões em patrocínios. A lista de patrocinadores de Lionel Messi conta com Adidas, Huawei, Tata Motors, Ooredoo, Lay’s e Gatorade.

Assim como a Seleção Argentina, Messi não veria impactos imediatos de um prejuízo financeiro por não estar na Copa da Rússia, ainda que algumas marcas possam optar por não renovar contrato com o craque argentino, além da perda de bônus pessoais por não alcançar objetivos.

Mas além de um indivíduo apenas, qual seria o impacto para a economia argentina se a seleção não se classificar para a Copa da Rússia? Vejamos a seguir.

Os prejuízos para a economia argentina pela ausência na Copa da Rússia

Sem considerar apenas os patrocinadores da Seleção Argentina e as marcas que estão ligadas diretamente à equipe nacional, o Marketing Registrado abordou os ganhos da economia argentina em anos de Copa do Mundo. Bancos, empresas de tecnologia, os ramos de turismo e gastronomia, além de marcas esportivas, são algumas das partes afetadas pela ausência da seleção no Mundial da Rússia.

Estima-se que a venda de televisões na Argentina, anualmente, seja de 3,1 milhões de unidades. Para anos de Copa do Mundo, esse número cresce consideravelmente nos meses anteriores à disputa do Mundial.

Já as agências de turismo esperam que cerca de 60 mil argentinos tenham intenção de viajar para a Rússia durante a Copa do Mundo, em pacotes de 140 mil pesos argentinos por 15 dias – sem considerar os ingressos, com valores de 105 a 1.100 dólares.

Fato é que as consequências de ter a Argentina fora da Copa do Mundo de 2018 vão muito além do aspecto esportivo.

Você gostaria de ver a Seleção Argentina sem disputar o Mundial? O caminho da Seleção Brasileira do técnico Tite ficaria mais fácil? Ou prefere que Messi esteja presente na Rússia? Interaja conosco e deixe sua opinião nos comentários!

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