Esporte & Marketing
Futebol, outros esportes e marketing digital por Gustavo Andrade

Arena do Galo e Diamond: shopping centers estão mesmo em decadência?

Em 18 de setembro, o Conselho Deliberativo do Clube Atlético Mineiro votou e aprovou com ampla maioria o projeto de construção da Arena do Galo, com previsão para o fim das obras em 2020. Na realidade, o estádio já tem até nome certo: Arena MRV. A construtora adquirirá os naming rights por R$ 60 milhões em um contrato de 10 anos.

O apoio da MRV Engenharia, responsável pela doação do terreno no bairro Califórnia, na região Noroeste de Belo Horizonte, é um dos trunfos do projeto da diretoria encabeçada por Daniel Nepomuceno. A cúpula alvinegra conta ainda com ajuda do banco BMG, que se comprometeu a comprar 60% das cadeiras cativas — a expectativa é de receber ao todo R$ 100 milhões.

Diamond Mall: o ponto de polêmica da Arena do Galo

Com MRV e BMG, o Atlético se aproximará do valor total para a construção, orçada em R$ 410 milhões. O principal montante viria daquele que é o ponto mais polêmico no projeto apresentado por Nepomuceno: a venda de 50,1% do Diamond Mall, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul de BH, à Multiplan, gestora de 18 shopping centers no Brasil. O Atlético ainda ficaria com poder de veto.

Todavia, se a venda não for concretizada, a partir de 2026, conforme previsto em contrato, o Atlético passaria a ter direito a 100% da receita bruta do Diamond Mall. Neste momento, o clube recebe 15% anualmente, enquanto os outros 85% vão para os cofres da Multiplan.

Daniel Nepomuceno, no projeto apresentado aos conselheiros do Atlético, argumenta que “as vendas pela internet cada vez mais fazem cair o movimento dos shopping centers ao redor do mundo”. É fato que o e-commerce cresce em todo o planeta e, claro, no Brasil. Mas esse crescimento realmente abala os shopping centers, a ponto de os centros comerciais serem considerados um setor em decadência?

Neste artigo, apresentaremos dados e projeções da evolução do comércio eletrônico, discutiremos ainda a respeito das estratégias adotadas no varejo para a integração de lojas físicas e virtuais, além de abordar sobre tendências de comportamento de consumo em shopping centers. Apresentaremos ainda números de arrecadação da Multipan e do Diamond Mall, que estão crescendo. Acompanhe!

A evolução do comércio eletrônico no Brasil

Em 2016, o e-commerce brasileiro faturou R$ 53,4 bilhões, com a maior parte desse valor arrecadada na categoria de eletrodomésticos. Na comparação com o ano anterior, o comércio eletrônico no país cresceu 11%.

Para 2017, a expectativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) é de que o setor alcance quase R$ 60 bilhões. Em janeiro, o presidente de Comércio Eletrônico da Fecomercio e CEO da Ebit, Pedro Guasti, apontava a projeção de crescimento de 15% do e-commerce no país neste ano.

Crescimento do consumo com dispositivos móveis

Publicada pelo IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou que o acesso à internet pelo celular já ultrapassou o desktop. Essa mudança impacta diretamente na forma como o varejo disponibiliza produtos aos seus consumidores, já que 86% dos usuários de smartphones fazem pesquisa de compra usando esse dispositivo.

Segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box: M-Commerce no Brasil:

  • 41% dos brasileiros com acesso à internet usaram seus smartphones para fazer uma compra em um app mobile.

Já a pesquisa Cenário do Mobile Commerce, produzida pela Criteo, indicou que:

  • Os dispositivos móveis já representam 20% das compras no Brasil;
  • 60% de todas as compras passam por dispositivos móveis em pelo menos um estágio do trajeto percorrido pelo usuário até a aquisição do produto.

Integração de lojas físicas e virtuais

O crescimento do e-commerce não quer dizer, obrigatoriamente, que os varejistas devem abandonar as lojas físicas. Uma série de estratégias têm sido adotadas para atender tanto os clientes que preferem adquirir mercadorias pela internet quanto aqueles que ainda gostam de ir até a loja, tocar nos produtos e experimentá-los.

Uma tendência no varejo atualmente é denominada ROPO — research online, purchase offline, ou pesquisa online e compra offline. De acordo com pesquisa realizada pelo Google, 38% das pessoas conectadas à internet tendem a fazer pesquisas de preço antes de se dirigirem até uma loja física para efetuar a compra.

A mesma pesquisa do Google indicou que a cada 1 dólar gasto nos e-commerces, as lojas físicas também podem lucrar quase o mesmo tanto off-line, com cartões de desconto e promoções.

Tendências de consumo em shopping centers

A necessidade de tocar os produtos e experimentá-los antes de efetivar a compra é ainda uma das principais razões para o movimento em lojas físicas. O medo de realizar o pagamento de forma online está cada vez menor, uma vez que as alternativas de segurança, como o blockchain, se tornam mais efetivas. Sites como ReclameAqui e Ebit também dão mais confiança às pessoas que pretendem fazer compras online.

Entretanto, de acordo com informações divulgadas no Mapic, evento internacional imobiliário voltado para o varejo, que aconteceu em Cannes em novembro de 2016, o varejo offline (em lojas físicas) representa 94% do total das vendas globais do varejo.

Ambientes de lazer e consumo de alimentos

A aposta dos gestores de shopping centers é de que esses ambientes ofereçam cada vez mais lazer e entretenimento aos seus frequentadores, com o intuito de oferecer melhores experiências de consumo.

As praças de alimentação são um grande incentivador do fluxo de pessoas num shopping center. Os gestores das lojas de comidas e bebidas buscam agora adotar ambientes que primam pela qualidade e tenham toques caseiros.

Diamond Mall: supermercado, cinema, academia e espaço infantil

O Diamond Mall é um dos centros comerciais que vão além das diversas opções de lojas. Numa das regiões mais nobres de Belo Horizonte, o shopping center conta com:

  • supermercado Verdemar, com padaria
  • academia Companhia Atlética
  • um salão de cabeleireiros e estética
  • duas casas de câmbio
  • Drogaria Araujo
  • 6 salas de cinema gerenciadas pela Cinemark
  • agência de turismo Tam Viagens
  • espaço infantil Planeta Imaginário.

Entre as opções de gastronomia, o Diamond tem restaurantes de:

  • comida árabe
  • comida italiana
  • comida japonesa
  • frutos do mar
  • duas sorveterias

Região mais valorizada de Belo Horizonte

Além das diversas opções apontadas acima, o Diamond Mall está no bairro de Lourdes, a região de metro quadrado mais caro em toda a capital mineira. Como não há mais lotes no bairro, especialistas do mercado imobiliário apontam que a tendência é que os imóveis de Lourdes se valorizem cada vez mais. Essa expectativa é potencializada pela mudança prevista na Lei de Uso e Ocupação do Solo, que reduzirá a área de construção permitida na região.  

Resultados da Multiplan e do Diamond Mall apresentam crescimento

A Multiplan é uma empresa de capital aberto e seus resultados estão abertos ao público. No relatório de apresentação dos números do segundo trimestre de 2017, é possível constatar crescimento da companhia. É válido ressaltar que a Multiplan gere 18 shopping centers no Brasil.

“Os lojistas nos shopping centers da Multiplan registraram mais uma vez um aumento das vendas, crescendo 8,7% no segundo trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do no anterior, superando os crescimentos de 6,1% no 1T17 e de 2,9% em 2016. O aumento das vendas no 2T17 foi o mais forte nos últimos dez trimestres, e a soma dos últimos 12 meses levou a um patamar de vendas por metro quadrado de R$27.653/m² para lojas satélites”, explica o relatório.

Seis shopping centers apresentaram crescimento de vendas de dois dígitos, mas o Diamond Mall não está entre eles. No comparativo entre o segundo trimestre de 2017 e o mesmo período de 2016, o centro comercial teve aumento de 0,3% em vendas. Entre abril e junho de 2017, as vendas no Diamond alcançaram R$ 145,8 milhões.

Nos últimos 10 anos, o lucro líquido da Multiplan saltou de R$ 21,2 milhões para R$ 302 milhões, um crescimento de 1.374,4%. Taxas como a inadimplência bruta (atraso no pagamento de aluguel superior a 25 dias) têm sofrido queda. Com aumento de receita de locação em 13,2%, a receita bruta da Multipan no segundo trimestre de 2017 atingiu R$ 315 milhões.

A receita de locação do Diamond Mall cresceu 5,7% na comparação entre o segundo semestre de 2017 e o mesmo período no ano anterior. Esse valor chegou a R$ 11,3 milhões.

A votação do projeto da Arena do Atlético

Para que a venda de 50,1% do Diamond Mall, com direito de veto ao Atlético, fosse aprovada pelo Conselho Deliberativo do clube, seria necessário que 260 conselheiros (dois terços do total) votassem a favor do projeto. Os votos foram abertos e nominais. O de número 260 foi dado pelo ex-presidente do clube e atual prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil.

Com a aprovação do projeto pelo Conselho, a diretoria do Atlético enviará, por meio de Alexandre Kalil, um projeto de lei para análise da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Após um eventual posicionamento favorável dos vereadores, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam) deliberará sobre o projeto.

O licenciamento ambiental do estádio será decidido em processo que envolve secretarias municipais e autarquias como BHTrans e Sudecap. Na última etapa, a Secretaria de Regulação Urbana avaliará se o estádio receberá alvará de construção.

Há a expectativa de que as obras sejam iniciadas até abril de 2018, enquanto a construção teria prazo entre 28 e 30 meses, com inauguração no final de 2020.

Você é a favor da venda do Diamond Mall pelo Atlético à Multiplan? Compartilhe sua opinião nos comentários! E confira neste link uma projeção de como será o estádio.

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